O texto que segue, foi extraito da Revista Manchete, de 1993. Agradecemos ao amigo e colaborador João Maria Marreiro, por nos enviar esse recorte. João Maria dedica-se aos estudos sobre Canudos e Pau de Colher, e vêm adquirindo objetos, livros e revistas, grandes achados, raridades. Segue o texto:
O vale da morte ainda deixa à mostra ossos de adultos e crianças massacradas.
Izabel Oliveira Guerra, 89 anos, também faz relatos terríveis. “ Minha mãe frequentava Canudos Velho para o terço, e resolveu a ficar até o final. “ era nova . “ com uns quinze anos” , e seu avô ficou conhecido por João da Guerra, por ter lutado e sobrevivido. Dona Izabel não era nascida na época, mas , ainda menina quando ia brincar nas trincheiras do alto Mário, e mesmo na beira do Rio Vaza Barris, chegou a ver “ muita gente morta empiada feito uma ruma de roupa. O Rio quebrava nas beira e ia descobrindo aquela visão horrorosa. Eu nem gostava de ouvir as histórias das morte, preferia fazê renda porque senão não dormia de noite”, encolhe-se abanando a cabeça para espantar a lembrança trágica. Izabel que teve 12 filhos e 56 netos. (Revista Manchete, 24 de julho de 1993).